A Obra-prima desconhecida
Autor: Honoré de Balzac
Tradução: Lourença Baldaque
Posfácio: Mónica Baldaque
Formato: 13×20 (cm)
Número de páginas: 48 págs.
1ª Edição: Novembro de 2020
1.ª Reimpressão: Novembro de 2023
Paris, 1612: três pintores — o jovem Poussin, e os mestres Porbus e Frenhofer — reflectem sobre um ideal artístico. Um retrato de mulher revela-se uma obstinação para Frenhofer.
«Aqui está toda uma previsão do que virá a ser uma grande mudança na expressão da pintura, e da própria literatura. Aqui reside a surpresa deste texto premonitório.» (Do posfácio)
Honoré de Balzac (1799-1850), influente romancista e cronista da sociedade francesa do seu tempo, reuniu a maior parte da sua obra em vários volumes que intitulou A Comédia Humana.
A Obra-prima desconhecida integra a segunda parte desta imensa obra, os "Estudos Filosóficos" «onde estão descritas as devastações do pensamento, sentimento a sentimento». (Balzac, prefácio da obra A Comédia Humana). A Obra-prima desconhecida foi ao longo das últimas décadas, até aos nossos dias, objecto dos mais diversos estudos e interpretações.
Mónica Baldaque (Peso da Régua, 1946) concluiu o curso Superior de Pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, em 1970. Enveredou pela carreira museológica que conjugou com a pintura de retrato e paisagem. Realizou várias exposições individuais, e participou em colectivas. Nos vários livros que já publicou e ilustrou, a escrita surge como uma forma de unir um pensamento e duas linguagens — pintura e palavra.
"Gillette
No final do ano de 1612, numa fria manhã de Dezembro, um jovem cuja indumentária era de muito frágil aparência, passeava-se em frente a uma porta de uma casa situada na Rua dos Grands-Augustins, em Paris. Depois de ter caminhado tempo suficiente nesta rua com a irresolução de um amante que não ousa apresentar-se à sua primeira amante, por mais fácil que ela seja, ele finalmente cruzou o limiar desta porta e perguntou se o mestre François Porbus estava em casa. Perante a resposta afirmativa que uma velha senhora ocupada a varrer uma sala de baixo lhe havia dado, o jovem lentamente subiu os degraus, parando de passo a passo, como um cortesão novato inquieto com o acolhimento que o rei lhe ía dar. Quando chegou ao cimo da escada em espiral, permaneceu por um momento no patamar, indeciso sobre se devia bater no batente com um grotesco que decorava a porta do atelier onde trabalhava sem dúvida o pintor de Henrique IV, que fora abandonado por Rubens a favor de Maria de Médicis. O jovem rapaz experimentava esta sensação profunda que fez vibrar o coração dos grandes artistas quando, no auge da juventude e do amor pela arte, abordaram um homem de génio ou determinadas obras de arte."